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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Liberdade não mais tardia


Clarice Lispector, escritora pós modernista, afirmou que liberdade é viver; ou seja, todos são livres e de acordo com a autora, o que ela ansiava, ainda não possuía nome.

Sabe-se que liberdade para alguns é apenas uma palavra, porém, para outros, remete a sentimentos, atitudes e poder. Os revoltosos franceses, por exemplo, ao tomarem a Bastilha na Revolução Francesa que tinha como lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, buscavam acabar com o Absolutismo e ter voz ativa no poder. A partir daí, diversos movimentos político-sociais se desdobraram pelo mundo até se conquistar as formas de governo existentes hoje.

No Brasil, o traído movimento republicano da Inconfidência Mineira, trouxe os dizeres atuais da bandeira de Minas Gerais, que traduzidos do latim significam: “Liberdade, ainda que tardia”. Tal liberdade, aparentemente já conquistada e assegurada pela Constituição Federal como direito de todo cidadão, prevê que o Estado, ex ditadura e atual república democrática, governe pelo povo e para o povo a partir das necessidades deste, apresentadas por meio da expressão.

Sendo assim, ao cumprir seus deveres morais e tributários, a sociedade deve ter acesso ao destino do dinheiro público, como também à transparência e à exatidão das ações dos investimentos governamentais. O que é certo e honesto, não apresenta motivos para ser escondido, fazendo com que não existam justificativas, por exemplo, para as licitações secretas da construção dos estádios para a Copa de 2014 no Brasil e nem para os projetos de leis que circulam pelo Congresso brasileiro exigindo censura a certos assuntos.

Clarice Lispector após definir liberdade, escreveu: “porque há direito ao grito, então eu grito!”. Sendo assim, onde já existe liberdade, obrigatoriamente tem expressão e é por meio dela que a população deve exigir o cumprimento da lei e sugerir maior autonomia dos estados, a fim de que a partir de um órgão oficial, apresentem mensalmente uma prestação de contas à sua população.

Afinal, talvez o que Clarice ansiava já possuísse um nome: justiça, coisa pública advinda da liberdade.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Diga não aos covardes




Um brinde aos passos minúsculos desses seres rastejantes. Andam na velocidade de uma boa notícia quando a ansiedade já extrapolou a lógica da espera.

Chega de meias bocas pra preencher profundos vazios. Meias bocas para beijar entradas inteiras. Meios beijos de respeito na testa. Meias palavras para dizer alguma coisa que, feita a análise fria, nada querem dizer. Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá pra puta que te pariu. (E vá ser vago na casa da sua mãe porque embaixo da sua manga eu não fico mais!)

Este rebolado colorido que descola de seu cenário pastel, vem de meu ventre. Livre. Portanto não tente me escravizar, nem com promessas, intelectualidades, ou uma pegada daquelas. 

Este rebolado é quase que instintivo, meu jeito, nada sutil, apesar de ser essa a intenção, de te mostrar que há chances de ultrapassagem.

Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse.

Não sabe se quer acelerar o motorzinho? Então vá treinar com uma boneca, uma revista, uma prima, a chata da sua mulher, a sem-sal da sua namorada ou o raio que os parta todos os mornos. Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito.

E bem longe de mim. Ou venha me ajudar a ferver essa banheira. Vamos ficar cegos de vapor e vermelhos de vida. É sangue que corre nos meus sentimentos e não o enjôo morno de uma vida que se vai empurrando com a barriga. Barriga que vai crescer no sofá imundo dos acomodados. Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as sete da tarde de uma quarta.

Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas? Docinho vá fazer pra quem gosta de lamber o seu cuzinho, porque aqui nessa boquinha só entra cher nourriture . Vá contar esse seu papinho de "Hey, you never know" pra quem conta com a sorte e sabe esperar.

A sorte é sua de ser amado por mim e eu quero agora, ontem, semana passada.

Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela, comer bicho-de-pé no Amor aos Pedaços ou quem sabe dar para o seu chefe em cima da mesa dele.

Minha vontade de ser feliz é como a sua de gozar. E se eu te iludisse de tesão e levantasse rápido para retornar a minha vida? Você continuaria se fodendo sozinho para fugir da dor: é assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo.

Chega de ser metade aquecida, metade apreciada, metade conhecida. Chega de ser metade comida em meios horários e meio amada em histórias pela metade. Chega de sorrir para o que não me contenta e me cobrar paciência com um profundo respiro de indignação.

Paciência é dom de amor aquietado, pobre, pela metade. Calma, raciocínio e estratégia são dons de amor que pára para racionalizar. Amor que é amor não pára, não tem intervalo, atropela. Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar. Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida.

Tati Bernardi

Eu e Los Hermanos

Quem é mais sentimental que eu? Todos.
E o que falta de sentimento, sobra de ego e orgulho.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mutirão pela Ética e Cidadania em Ipatinga


Este grupo se propõe a ser um espaço apartidário e democrático para defesa da ética e cidadania e manifestação de nossa indignação diante dos escândalos e denúncias de corrupção que vem ocorrendo em Ipatinga.

Há alguns dias em uma reunião, ouvi que o Brasil precisa ter mais loucos. Loucos que gritem, que lutem por seus direitos! A loucura, segundo a psicologia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados anormais pela sociedade. Nesse contexto, o político Mário Covas uma vez afirmou que no Brasil, quem tem ética parece anormal.

A palavra ética, do grego, significa aquilo que pertence ao caráter, aquilo que fundamenta o bom modo de viver a partir do pensamento humano. E cidadania, do latim, é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive.

Portanto, inseridos em uma população descrente da eficiência e seriedade do poder público nessa cidade, o Mutirão abrange diversos setores da sociedade que ainda acreditam na mudança pela força do povo exercendo sua cidadania, estamos indignados com os recentes escândalos e denúncias relativas a atos ilícitos do poder público; observa-se também a banalização das CPIs que não foram ao limite de sua atuação e a Comissão Processante instaurada para apurar responsabilidades do Executivo, cujo processo o povo desconhece.

Neste sentido, seria interessante que o vereador Guedes explicasse à população quais foram os resultados práticos da CPI dos Kits Escolares. Quem sabe o vereador Agnaldo Bicalho possa dizer ao povo o que aconteceu com a CPI da URBIS?

Dessa forma, exigimos clareza por parte dos Senhores parlamentares e defendemos:

Que os poderes constituídos em nossa cidade funcionem independentes, harmônicos e equilibrados, tal como os concebeu o filósofo Montesquieu;

Que os princípios constitucionais referentes à administração pública sejam respeitados;

Que os cargos de gestão sejam exercidos por profissionais de comprovada capacidade técnica;

Que o Ministério Público, baseado nas inúmeras denúncias que já acolheu, exija a auditorias nas contas das secretarias de Educação, Saúde e de outras que estejam envolvidas em denúncias;

Que sejam retiradas todas as ameaças de demissão de trabalhadores cuja origem do problema está na má gestão de nossos recursos;

Que o Tribunal de Contas de Minas Gerais se pronuncie acerca de denúncias de irregularidades na prestação de contas do município de Ipatinga do ano de 2010 e que o Legislativo Municipal faça um pronunciamento público sobre o fato de ter instaurado uma CP questionando atos ímprobos do executivo municipal e posteriormente aprovado as contas do município referentes ao mesmo período de 2009.

À população presente, apelo para que esteja sempre alerta e vigilante sobre a atuação de nossas entidades públicas, que se organize e promova um levantamento no histórico de atuação de vereadores e denuncie qualquer tipo de corrupção ou conivência com atos ilícitos praticados pelo executivo municipal;

Que exija prestação de contas, que se interesse, que lute pelo o que lhe é garantido constitucionalmente e que tenha convicção que o governo existe por você e pra você!

Então, se o seu governo não é tudo o que você esperava. Se você percebe que o governo está escondendo a verdade sobre certos eventos. Se você acha que alguma coisa está errada, mas que parte da população não se preocupa. Seja diferente, se você vai à luta e tem esperança, considere-se louco e seja bem vindo à verdadeira democracia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Desejos - Carlos Drummond de Andrade

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O inferno não é aqui


Com a vinda da família real português ao Brasil no século IX, a rainha Carlota Joaquina definiu a colônia como “o quinto dos infernos”.

Posteriormente, Gregório de Matos, poeta brasileiro e crítico do regime imperial, tem parte de sua história narrada por Ana Miranda no livro Boca do Inferno, como era chamado o escritor. No discorrer da leitura, percebe-se que a corrupção está enraizada nas origens do Brasil, que no início da colonização recebeu condenados à prisão, vindo de Portugal.

O governo monárquico exportava as riquezas do país e cobrava altos impostos a fim de manter a nobreza. Na república, os coronéis trocavam favores por votos; mais tarde, acordos políticos entre MG e SP se revezavam no poder.

Atualmente, a capital do país, definida pela pós modernista Clarice Lispector como uma prisão ao ar livre, abriga componentes de um governo que paga mais de R$12.000 em salário a parlamentares que também recebem abono moradia, passagens aéreas, auxílio terno, etc.

Enquanto isso, rondam pelo Congresso centenas de projetos de leis para beneficiar deputados e senadores, anualmente envolvidos em escândalos de corrupção com dinheiro público mal investido, distribuído em meias, cuecas, contas em paraísos fiscais, maletas e panetones, fazendo transparecer a falta de caráter ético que existe nos representantes da população.

O conceito de ética, do grego, está relacionado a costume; e a herança herdada e a situação à qual o Brasil se acostumou é a desonestidade. Sendo assim, cabe aos brasileiros se conscientizarem, conhecerem seus candidatos antes de elegê-los, fiscalizar suas ações e exigir o cumprimento das promessas e prestação de contas sobre o destino dos investimentos.

Além disso, deve-se modificar a cultura através do ensino político desde o primário, visando o gosto por eleições justas, exigência de direitos, cumprimento de deveres e luta por melhores condições a fim de constituir uma geração que mude o sistema do poder político, valorize-o e ocupe cargos nos quais atendam aos interesses gerais, quebrando a definição do país dada por Carlota Joaquina e mostrando a Gregório de Matos, que tinha medo do inferno, de que ele estava apenas no Brasil.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Manuel Bandeira, Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes



‎" A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida, / só que a felicidade morava tão vizinha, que, de tolo, até pensei que fosse minha. / Mas, se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma, / porque o amor é a verdadeira sacanagem. " 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Queria ter nascido com um cartão de recomendação; Mostrando as qualidades e defeitos a serem trabalhados ao longo da vida, avisando a data da minha morte e o nome e local do meu par e amor perfeito. Assim: fácil, simples, sem mistérios, sem suspense, sem muitas emoções e sentimentos e sem destino. Perfeito!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desarmamento Mental


Imaginar que apenas a proibição da comercialização de armas entre a população civil impedirá o crescimento da violência urbana é tão ingênuo quanto supor que a inflação possa ser controlada por decreto, o analfabetismo por medida provisória, a ignorância com lamentações, a obesidade sem regime e a corrupção com CPI.

As armas dos criminosos, em sua maioria não vêm das lojas, que possuem as portas abertas ao público, pagam impostos, geram divisas e empregos. Vêm das fronteiras descuidadas, que ironicamente (ou não) necessitam de melhor treinamento e investimento do governo para protegê-las; uma vez que muitas das armas ilegais do país também se originam da própria força policial. Como escreveu Millôr Fernandes: dizem que o governo, depois de proibir ao cidadão comum usar armas, vai proibir ao exército possuir armas de uso exclusivo dos traficantes.

De acordo com a Lei de numero 20.826 de 22 de Dezembro de 2003, para possuir porte de arma, o individuo deve demonstrar sua necessidade em portá-la com efetuação de registro e porte junto a Policia Federal ou Comando do Exército, que comprovarão falta de antecedentes criminais e capacidade técnica e de aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo. Sendo que após adquirir o porte, o cidadão deve manter a arma apenas em domicilio ou em local de trabalho, conforme solicitado.

Sendo assim, por que um país onde a forma de governo é a democracia – governo do povo, para o povo – precisaria de leis que ferem o exercício da cidadania, desarmando somente pessoas que compram armas de forma legal e respeitando a legislação já existente e exaustivamente discutida? Combater tal lei faz parte de políticas que, deixam de investir em áreas de maior urgência no pais para que, se aproveitando de um evento de grande repercussão, como o massacre na escola em Realengo, apelam para a emoção de uma população muitas vezes iludida, que pensa estar indefesa aos apelos da mídia pela paz.

Portanto, armas de fogo não estão diretamente relacionadas com a paz, pois a violência não está nas armas e sim nas mentes de alguns, em pensamentos psicopatas que existem há séculos e escravizam alguns seres humanos que consumam suas agressões contra seu semelhante, independente da arma que fabrique ou tenha em mãos. A violência está nos problemas sociais, na incompetência dos que têm a seu cargo a manutenção da segurança pública, na morosidade da justiça, nos problemas econômicos, entre outros. A violência está em todas as partes porque está em todas as mentes; e nestas seria necessário combatê-la.

Pois a verdadeira educação é a mental, a que permite aos seres humanos conhecer o ambiente em que vivem e utilizá-lo na criação de idéias e pensamentos que tenham real utilidade para o semelhante, a fim de que as gerações futuras possam ser preparadas e orientadas no sentido de uma postura mental mais humana e pacífica, ou seja, o desarmamento deve começar dentro de cada um.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pseudo Poeminha da Ditadura Militar.

Pergunta. Perguntas. Pergunta-se. 
Res, resposta, respostas, Resposta?
Res publica, república.
República do demo.
Demo, Democracia?
Não: demônio.

Clichê


É, sou clichê! 
E sou daquelas amantes da história, loucas por Luís Carlos Prestes e Che Guevara, que machos! Das de literatura, que querem provar da divindade de Oswald de Andrade e pedir Vinícius de Morais pra cantar no ouvidinho e ainda cuidar da Manuel Bandeira, pra tentar adiar sua morte. Também sou das da música, que sonham com Caetano Veloso e Chico Buarque todos os dias e querem um arranhado da barba do Nando Reis bem no pescoço.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Carta a mim mesma daqui a 30 anos


Olá,
Não espero que esta carta te encontre bem. Não me iludo, sei que não se alimentou bem, que abusou dos doces, das massas e das calorias. Sei que fez academia só pra ficar gostosa e corria em volta do bairro pra desestressar. Ah, o estresse! Você ainda tem neurônios? Se não foram consumidos junto com o fígado pelo álcool que você aprendeu a ingerir exageradamente, restaram-lhe poucos pelo nervosismo constante.

Continua tendo enxaquecas e dores psicológicas pelo corpo? Provavelmente né? Afinal, você amadureceu, mas certos hábitos são irrevogáveis.

Como andará o seu humor? Bipolar? Impaciente? É fácil chorar e rir ao mesmo tempo aos 18 anos – e agora? Tanto tempo depois, não me surpreenderia se seus problemas estiverem gigantemente incontroláveis e que sua alma esteja implorando para voltar a esta sala de aula, onde estou agora, tecnicamente me preparando para o vestibular, para o futuro. E o futuro? Você se tornou uma promotora de justiça? Quebrou a banca no fórum e botou pra foder na justiça? Espero que sim, cara doutora.

Espero que sua auto estima tenha continuado alta e que sua confiança e prepotência tenham se entendido entre si. E as mágoas? Ainda guarda todas? Continua se escondendo atrás da sua fortaleza de não se apegar às amizades por saber que elas vão te decepcionar? Nada cultivado ou de longo prazo a se cultivar? Provavelmente não... Mas lembre-se que você também ofendeu e magoou muito a muitas pessoas.

Mas você aprendeu e também ensinou, não é mesmo? Presumo seu meio sorriso agora, descalça e má vestida, arrumando a casa ao som de um popzinho qualquer e achando esse rascunho nas gavetas velhas, ou quem sabe, não está sob um scarpin agora, trabalhando no computador e achando esse texto já corrigido ortograficamente? Não sei...

Não consigo te imaginar sozinha. Então espero realmente que tenha tomado jeito, parado de pisar em sentimentos alheios e destruir corações e reclamar da solidão nos dias de semana. Espero que tenha se apaixonado mais, além das duas vezes que até hoje te fizeram sofrer. Espero que o seu celular esteja cheio de declarações e que no cômodo ao lado, exista uma parede de fotos de viagens a dois e que você receba flores e surpresas e faça sexo todos os dias possíveis, mesmo quase aos 50 anos, então, por favor, não me fale a idade dele, você nunca se importou mesmo. E eu admiro isso em você, nunca ligou pro que os outros falam, sempre gostou de fazer o que teve vontade e é isso mesmo e nunca viu mais de duas vezes quem não vale à pena. Feche os olhos, abra-os devagar e lembre-se de tudo que fez até os 18 anos e compare com o que fez depois, valeu à pena?

Porque você ainda está pensando na mente masculina? Já não encontrou o seu? Continue sendo linda para ele e deixe a sua preferência pelos branquinhos ou mulatos altos de cabelo pretos. Esqueça sua primeira vez (pelo amor de Deus!) e todos os beijos avacalhados que te deram. Esqueça o dia seguinte e as ressacas e esqueça também os nãos que a vida te enfiou guela abaixo. Enfiou, ui! Assim mesmo, forte ou fraco, grande ou pequeno, carinhoso ou selvagem, com ou sem amor, passou. Você ainda conta isso e vê os olhos arregalados das suas amigas? Esqueça suas façanhas e solte o cabelo!

Ajeite a coluna, descruze as pernas e pegue um café, ainda é viciada? Toma com energético? Suspire gata, o amor existe e você sabe!

Será mesmo? Não sei. Sou e estou um pouco confusa. Acho que seus sentimentos de liberdade estão menores e que o orgulho e a ambição vazia e o cinismo estão moderados. Mas que a ironia continue alta, eu a adoro!

É bem provável que depois de tanto tempo, você consiga encarar a vida de frente, sentir tudo com mais intensidade e se vê lúcida e forte. Se entregue sem medo, daqui a pouco você terá 50, viva! Esteja vivendo!

Escreveu algum livro? Publicou alguma coisa importante ou a escrita continua sendo só um hobbie pra você? Tenho certeza que ainda cultiva sua paixão pela cultura e ama os bons autores clássicos brasileiros que sempre estiveram com você. Sei que valoriza também a boa música sem rótulos e por favor, não saia do foco. Não dança funk nas festas, só samba no carnaval e dá gargalhadas quando mescla seu gosto musical, certo?

Você ainda vai à Igreja? Tem mais fé agora? Deve ser natural, dizem que somos incertos aos 18, mas você sabe o quanto a fé é importante, não sabe? Sei que lê a bíblia e que não é bitolada.

Você se considera velha? Sei que franziu a testa.

Ainda tem contato com a família? Você sempre lidou bem com a morte, mas nunca perdeu alguém de extrema importância, imagino como deve ter sido tragicamente cômico o seu luto. Papai provavelmente se foi primeiro, seu machismo policial nunca o deixou cuidar muito bem da saúde, e a mãe, por tristeza, deve ter implorado pela morte no mínimo dois anos depois. Seus irmãos devem estar ótimos, cheios de filhos e muito bem sucedidos. Afinal, a ovelha negra da família é você, sempre foi, admita, aceite.

Continua agindo por impulso? Falando alto e sem pensar? Sua personalidade forte me assusta. Faz jus ao significado do seu nome, Águia, de olhar altivo, que forte, quando mais nova, você sempre se gabou por isso. Achando lindo. Não deve fazer tanta diferença agora. Mas fico feliz que seu hábito de xingar se reduziu apenas aos jogos de futebol, espero que não tenha abandonado isso, é o seu passe pra falar para os outros: Aaaah, vira homem!

Espero que apesar dos pesares diários e da rotina cansativa, você se divirta e seja, esteja feliz. E que agora, tenha um compromisso importante, ou guarde esse papel logo, porque alguém acabou de entrar: meu bem, cheguei.

Vai lá, um abraço Áquila B.


Ainda Quilinha

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Carta a mim mesmo daqui a 50 anos


Meu querido Chico,
Espero, é claro, que esta carta te encontre bem. Não me iludo: quando digo “bem”, tento pensar de acordo com seus próprios critérios. Alguma vitalidade. Poucas dores, uma ou outra limitação física, nada que comprometa sua independência ou capacidade de tomar decisões. Se não for esperar demais, também torço para que o fígado ainda funcione, o suficiente para uma bebedeira ocasional.
Como andará o seu humor? É fácil rir de si mesmo aos trinta anos — e agora? Tanto tempo depois, não me surpreenderia se as frustrações tivessem feito algum estrago em seu espírito. Os devaneios, por menores que sejam, acabam esmagados pelo peso dos fatos. As intenções elevadas vão dando lugar a sentimentos mais, digamos, pedestres: a mesquinharia, o orgulho, a ambição vazia. O cinismo. A amargura.
Foi impossível evitar. As coisas foram acontecendo, não havia como se proteger. Há quem tenha te decepcionado; há, ao contrário, aqueles a quem você ofendeu, que não conseguiu evitar magoar — e a culpa por esses gestos ainda deve doer em você.
E há os mortos.
Sim, os mortos. Gente que você amou e que te fez feliz. Gente que ajudava a te definir, que era a janela através da qual você enxergava algum sentido no mundo — e que agora, justamente quando era mais necessário, não está mais por aqui. Você já sabia que seria assim, mas isso não ajudou em muita coisa. Posso imaginar sua perplexidade. Seu assombro. Diante desse vazio, não deve restar muito a fazer senão sentar-se num canto e, em silêncio, acostumar-se à solidão.
A pergunta soa quase absurda, mas eu me sinto obrigado a fazê-la: diante de tudo o que aconteceu, você ainda será capaz de se apaixonar? A proximidade do fim carrega um quê de egoísmo: é uma luta que se trava a sós. Não seria o amor, do seu ponto de vista, um capricho típico de quem, por estar distante da morte, ainda vive a ilusão da eternidade?
É bem provável. Mas, pensando melhor, também pode ser que aconteça exatamente o contrário. Que a iminência do fim, em vez de paralisar o espírito, recheie as coisas de uma intensidade inesperada. De uma hora para outra, você se vê lúcido e forte. Pela primeira vez, sente-se capaz de encarar a vida de frente. Tudo é claro, tudo é igualmente simples e fundamental. As coisas são o que são, e é desse ponto privilegiado que você se permite entregar-se sem medo às paixões mais ferozes.
Será mesmo? Não sei. Estou um pouco confuso. Nem tenho muita certeza, na verdade, do motivo de estar escrevendo tudo isso. No fundo, acho que tenho apenas a expectativa de que essas linhas te alcancem — e que você as leia com uma espécie de compaixão. Quanta solenidade, meu Deus. Que desperdício de palavras. O que espero, no fim das contas, é que você encontre esta carta e, com um sorriso no rosto, grite para o cômodo vizinho: vem cá, meu bem. Vem ver isso que eu achei na gaveta. Dá pra acreditar numa coisa dessas?
Um abraço,
Chico
(Chico Mattoso, Revista Bravo!, 08.2010)

segunda-feira, 6 de junho de 2011


Eu, que nem acredito em horóscopo, de um tempo pra cá, comecei a ler o meu, o seu e a nossa combinação e mesmo quando não há sentido algum eu tiro proveito, emendo as palavras, arrumo circunstâncias e recheio a memória de lembranças e ansiedades, anseios.

É isso que me incomoda: essa vontade inexplicável de te ter pelo menos por um dia e jogar na sua cara que esses signos são uma merda e que o destino é a gente quem faz, assim como essa situação que você criou. A culpa de tudo na minha vida ultimamente é sua. Mas foda-se!  Só venha, eu te ensino e te mostro o que fazer.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Estamos com fome de amor...

O que temos visto por ai? Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... Mas chegam sozinhas e saem sozinhas... Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos... 


Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível. E não é só sexo não! Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida? Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo! Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho , sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama - sexo de academia - , fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalisticas... Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção... 
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós... Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!" Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens  com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez  mais sozinhos... Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário... Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa... Todo mundo quer ter alguém ao seu lado , mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, familias preconceituosas... Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados... Mas e daí?  Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado... "Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor... Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais... Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida... E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele...  E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?" Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado... O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in... Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso. 
Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"... Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz! Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!


(Arnaldo Jabor - Jornal O Dia!)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Duas pernas e uma calça


Nunca liguei pra essas frescurites femininas de corpo e saúde, não muito pelo menos. Mantenho meus conceitos de comer muito e quando der vontade, gosto de malhar quando tenho tempo e quando enjôo do meu computador. Correr e caminhar? Só quando estou afobada e ansiosa, uso os estudos como desculpa pra ficar quetinha e minha terapia mesmo, é escrever, de preferência bem vestida e sentada no chão frio, como agora.
Porém, hoje, justamente hoje, fui forçada a mudar, por culpa de uma calça jeans, uma misera, miserável calça... Justo eu, que não ligo pro fútil, que amenizo a ironia e a la Lispector: adoro o meu corpo, por ser a única posse real que tenho.

Enfim, a calça não entrou. Logo de manhã meus caros! Pela primeira vez, não passou dos joelhos. Então, decidi! Começo minha dieta na Segunda Feira, me despeço no fim de semana. Tentarei manter minhas ansiedades alertas e vou correr!

Correr com as pernas, sentir o vento no cabelo e ao som da música adequada, tentar tirar os pés do chão, driblar o coração e gritar: sossega alma! Sossega!

Mas eu devo e vou me cansar... Eu sei! Uma hora ou até rápido demais... Assim como canso de esperar, de acreditar em alguns e de tentar ter certeza. Sou eu, não é você, não são vocês, nem nós.