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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O inferno não é aqui


Com a vinda da família real português ao Brasil no século IX, a rainha Carlota Joaquina definiu a colônia como “o quinto dos infernos”.

Posteriormente, Gregório de Matos, poeta brasileiro e crítico do regime imperial, tem parte de sua história narrada por Ana Miranda no livro Boca do Inferno, como era chamado o escritor. No discorrer da leitura, percebe-se que a corrupção está enraizada nas origens do Brasil, que no início da colonização recebeu condenados à prisão, vindo de Portugal.

O governo monárquico exportava as riquezas do país e cobrava altos impostos a fim de manter a nobreza. Na república, os coronéis trocavam favores por votos; mais tarde, acordos políticos entre MG e SP se revezavam no poder.

Atualmente, a capital do país, definida pela pós modernista Clarice Lispector como uma prisão ao ar livre, abriga componentes de um governo que paga mais de R$12.000 em salário a parlamentares que também recebem abono moradia, passagens aéreas, auxílio terno, etc.

Enquanto isso, rondam pelo Congresso centenas de projetos de leis para beneficiar deputados e senadores, anualmente envolvidos em escândalos de corrupção com dinheiro público mal investido, distribuído em meias, cuecas, contas em paraísos fiscais, maletas e panetones, fazendo transparecer a falta de caráter ético que existe nos representantes da população.

O conceito de ética, do grego, está relacionado a costume; e a herança herdada e a situação à qual o Brasil se acostumou é a desonestidade. Sendo assim, cabe aos brasileiros se conscientizarem, conhecerem seus candidatos antes de elegê-los, fiscalizar suas ações e exigir o cumprimento das promessas e prestação de contas sobre o destino dos investimentos.

Além disso, deve-se modificar a cultura através do ensino político desde o primário, visando o gosto por eleições justas, exigência de direitos, cumprimento de deveres e luta por melhores condições a fim de constituir uma geração que mude o sistema do poder político, valorize-o e ocupe cargos nos quais atendam aos interesses gerais, quebrando a definição do país dada por Carlota Joaquina e mostrando a Gregório de Matos, que tinha medo do inferno, de que ele estava apenas no Brasil.

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