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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Adeus Maquiavel!



A ditadura militar no Brasil pode ser explicada pelo pensador italiano renascentista Nicolau Maquiavel, que defendia a tese de que é melhor ser temido do que amado; Maquiavel além de achar que os fins justificam os meios, também alertou sobre a pratica do bem, que deve ser feito aos poucos, diferente do mal, que deve ser praticado de uma só vez.

Sendo assim, militares no período de 1961 a 1979 abusaram da repressão, além da censura e da falta de liberdade em geral, até de ir e vir, nos porões do governo autoritário, mulheres foram estupradas, torturas como cadeira elétrica , pau-de-arara, choques elétricos, espancamentos, ingestão de drogas, afogamentos, entre outros, foram constantementes utilizados e tudo isso resultou em uma enorme lista de mortos e desaparecidos, nos quais de muitos, as famílias ainda procuram os corpos.

Para praticar o bem lentamente, como orienta Maquiavel e garantir o fim lento, gradual e seguro do governo militar, o Marechal Figueiredo (ultimo presidente da ditadura) promulgou a Lei da Anistia, que concedeu perdão a todos que cometeram os considerados crimes contra o regime e também "perdoou" ao governo que reprimiu duramente todo tipo de manifestação contra seus interesses.

Baseada nas verdadeiras vítimas da ditadura, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), propôs ao Supremo Tribunal Federal (STF) a revisão da Lei da Anistia, para que mesmo tarde, os torturadores fossem punidos. Tentativa em vão, o STF rejeitou o pedido.

O ministro da defesa Nelson Jobim se opôs a revisão da lei, alegando que passado é passado e que não há nada que possamos fazer. O que foi esquecido pelo Senhor Ministro é que a história não deve ser abandonada, pois somos hoje o resultado do que se fez no passado. Quando um motorista é multado, por exemplo, ele procura não mais ultrapassar o limite de velocidade; se no Brasil a justiça fosse ágil, tanto no passado, quanto agora, enfrentaríamos menos problemas.

Chile, Argentina, Uruguai e até Alemanha (com o Tribunal de Nuremberg), puniram os responsáveis por crimes contra a sociedade. A não revisão da Lei pelo STF foi uma derrota para a democracia e para todos que defendem a revelação sobre os fatos do nosso passado e a punição aos verdadeiros criminosos.

Agora, com a manutenção do "perdão", mães continuarão a procura dos corpos dos filhos, viúvas dos maridos, amigos dos amigos corajosos, escritores, músicos, jornalistas, guerreiros, heróis. Inocentes ficarão a espera de uma indenização tardia prometida e os torturadores, se ainda vivos, livremente continuarão.

O STF provou não saber o que é história ou não se preocupar com ela, abrindo brechas para que novos crimes parecidos  ou não com os da ditadura sejam cometidos, uma vez que a anistia poderá novamente ser irrestrita, pois esqueceu-se de que somente as feridas limpas, podem cicatrizar.

Cabe a nós, população brasileira, ao invés de reivindicar eleições DIRETAS JÁ, como as solicitadas pós ditadura, podemos, assim como criamos a Lei Ficha Limpa contra a corrupção, ir além e lutar pela paz e JUSTIÇA JÁ e enfrentar as heranças maquiavélicas ainda existentes, pois até mesmo Maquiavel ressaltou que é o tempo que leva por diante todas as coisas e é ele que pode mudar o bem e mal e transformar o mal em bem. Sendo assim, o tempo não trará inocentes de volta, mas nós podemos reverter o mal em bem, uma vez que a sociedade tem direito à memória, à verdade e à justiça.

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