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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Geisy do Vestidinho Rosa

Hoje, ao chegar da escola, troquei meu sono de beleza pelo telejornal das 14 horas, mas não me surpreendi muito com o que vi, até porque já tinha lido o jornal de manhã e pra mim, a notícia lida é muito mais interessante do que a notícia falada, todas aquelas imagens, numa seqüência difícil, procedidas por outras reportagens de assuntos completamente diferentes e quase sem nenhuma ligação, me confundem e me dão mais sono ainda. Enfim, não vou tratar sobre isso aqui, mas não posso deixar de citar que os telejornais deveriam ser separados por horários distintos de acordo com temas: políticos, turismo, catástrofes, “noticias que somos obrigados a dar”, reportagens inúteis, entre outros. 

Bem, como todos sabemos, a estudante de turismo Geisy Arruda, foi expulsa da UNIBAN e agora a expulsão foi revogada, creio eu que por causa do enorme tumulto e polêmica causada pela mídia. Em primeiro lugar, não existe uma lei ou regra para roupas que se deve usar no ambiente escolar, eu particularmente, abomino uniformes da minha vida, a começar pelos do colégio onde eu estudo, me sinto uma arvore usando eles, isso é, quando não te param na portaria e reclamam que o uniforme tem que ser maior e mais largo, e se não quer levar bronca maior ou ficar suspensa, não me apareça na porta do colégio de calça jeans, chinelos? Nem pensar! Mas isso é irrelevante, pois se trata de uma escola particular, onde as normas são impostas a você sem nenhuma explicação nem porque, gostando ou não, sou obrigada a usar o uniforme, provavelmente no contrato que meus pais assinaram, tem alguma citação sobre tal assunto.

Não estou aqui pra falar das regras que tenho que seguir, nem sobre o meu uniforme escolar ridículo e obrigatório, mas sim do famoso vestidinho rosa de marca não identificada usado por Geisy Arruda. Depois que Britney Spears, Paris Hilton, Lindsay Lohan e até Amy Winehouse lançaram a moda de usar roupas curtas para chamar a atenção e ficar uma semana nas primeiras paginas, muitas mulheres sonham com tal feito, as venda de roupas curtas deve ter triplicado de um tempo pra cá, mas antes que você me acuse de danos morais, não caro leitor, não estou insinuando que a estudante tenha propositalmente usado o mini vestido com o intuito de polemicas maiores que seu próprio espaço, ou estou? Ah!  Essa é apenas uma das hipóteses, que a propósito foi formulada pelo meu instinto critico natural de mulher, até porque adorei o vestidinho, mas não posso comprar igual, vai que a moda ‘Vestido igual ao da Geisy’ pega? Não é isso que acontece no Brasil? O vídeo vai para o Youtube, se ele for de um assalto, ou de ônibus sendo queimados, ou de gravações de telefone onde políticos negociam o NOSSO dinheiro ou simplesmente fornecer dados políticos essenciais para nós, como a proporção entre o quanto os deputados ganham por minuto para trabalhar no Brasil e o aumento da pobreza e do numero de favelas, nada fazemos, ignoramos, fingimos que não vimos, ou usamos a desculpa de que o vídeo foi montagem ou simplesmente “não passou no meu computador”. Às vezes até surge um resultado mais amplo, que não dura muito, sabemos disso, pois Collor retornou a política a pouco tempo, assim como o Mensalão de 2007, já é passado na nossa historia. Estamos tão aptos com a anormalidade, que a violência nas grandes capitais e a cassação de prefeitos ou políticos menores, já se tornaram normal no nosso dia a dia, não há vídeo ou reportagem ou simplesmente imagem que nos faça achar estranho, protestar ou sequer, por um minuto, acreditar que poderia ser diferente se nos empenhássemos mais em fazer desse país um verdadeiro primeiro mundo.

Por outro lado, meu senso humano feminista, formulou outra hipótese, contra a universidade, que diz a respeito do livre arbítrio, para os leigos (creio que poucos) que não entendem o que o livre arbítrio significa, venho-lhes esclarecer, livre arbítrio é resumidamente nosso direito de escolha, que dentro da lei pode ser complementado pelo Habeas Corpus, nosso direito de ir e vir livremente. Não existem regras na UNIBAN que dizem respeito ao uso de roupas adequadas para freqüentar as aulas de turismo, também não há documento nenhum que notifique sobre a expulsão de uma aluna por uso de roupas curtas no horário de estudo. Nem se Geisy estivesse completamente nua, ela poderia ser expulsa, sem antes ser questionada sobre os motivos que a levaram a aparecer totalmente sem trajes, na universidade. 

Provavelmente, após todo o constrangimento que passou por ser ofendida por alunos no corredor, Geisy deve ter sido questionada sobre motivos que a levaram a comparecer no campus com um mini vestido, ela poderia simplesmente ter respondido: “porque eu quis”, “porque eu gosto de roupas assim” , “porque quero provocar alguém”, “porque sou maior de idade e posso me vestir da maneira que bem entendo, desde que me sinta confortável”; talvez ela até tenha respondido de acordo com alguma das minhas respostas imaginadas, não importa, o fato é que Geisy Arruda não poderia ser expulsa de uma universidade, por causa de suas roupas e ainda sob a acusação de “Atrapalhar o andamento das aulas e bem estar social dos alunos e do meio educacional” . 

Concordo que um micro vestido rosa, assim como um biquíni ou mini saias, são trajes para o verão, para a praia, ou qualquer outra ocasião fora do meio escolar, onde muitas pessoas se recusam a crescer como criticas, como pessoas que são e até mesmo com os pensamentos que têm, mas concordo também que nosso presidente não é mais Jânio Quadros com a Vassourinha varrendo a “pouca vergonha” das ruas do Brasil, se até praia de nudismo existe, se revistas sensuais são vendidas pelas ruas e se todos já viram pelo menos um par de seios e pernas de alguma desconhecida estampados em outdoors, revistas, etc. Por que a aluna Geisy foi brutalmente ofendida por colegas universitários? E por que foi expulsa? São respostas que provavelmente nunca saberemos, mas afirmo com toda ironia do mundo, que isso não é importante não é mesmo? Afinal, o tumulto já foi causado, teve até protesto de famoso junto com movimentos feministas em prol de Geisy e ela finalmente poderá retornar aos seus estudos. 

Agora, á Geisy Arruda, independente de qual foi sua intenção, só tenho uma frase a dizer: maldita hora que você resolveu sair de casa com um vestidinho rosa e curto. Aos famosos que criticaram tanto a UNIBAN e aos estudantes que criticaram tanto a aluna de turismo, proponho um novo protesto, que se baseia em fatos contra o padrão de beleza imposto pela sociedade, contra o bullying nas escolas e a favor da liberdade de ir, vir e se expressar de maneira saudável dentro de um local, e se sobrar algum tempo, por que não pesquisar mais sobre a época em que estudantes realmente participavam do país, passeata dos Cem Mil, censuras, morte... Ah sim, medo da morte? Relaxem, a ditadura militar já acabou, só nos resta agora, a ditadura que impomos sobre nós mesmos: a do silêncio e acomodação. 

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