Diferente de Clarice Lispector, eu nunca escondi um amor com medo de perdê-lo, todas as coisas que falei para não perder um amor, estão frescamente guardadas em minha memória, nunca perdi um amor por escondê-lo, amar sozinha, guardar o amor no peito, deixa ele confortável, vivo, intenso. Nunca segurei nas mãos de alguém por medo, procurei segurar apenas nas minhas próprias mãos, me abraçar quando tudo ficasse escuro e me apoiar no meu orgulho e na minha auto-estima para ver a tempestade passar.
Nunca na minha vida, tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos, pelo contrario, minhas mãos estavam aqui o tempo inteiro, segurando uma na outra, se ajudando, sem precisar confiar em uma segunda pessoa. Nunca expulsei pessoas que amava de minha vida, nunca vou me arrepender por isso, pois apesar de poucas, as pessoas que amamos, nos dão a força que precisamos, e mesmo que o amor não seja recíproco, a palavra amor por si própria, juntamente com o sentimento, superam milhares e milhares de expectativas.
Nunca passei noites chorando até pegar no sono, mesmo se eu quisesse, não conseguiria chorar tanto, sou do tipo de pessoa que já deita na cama e dorme, sem muita coisa a pensar e planejar; nunca fui dormir feliz ao ponto de nem conseguir fechar os olhos, meus olhos fecham levemente e rapidamente e demoram a abrir de novo, tenho medo de piscar e perder a visão de grandes momentos.
Nunca acreditei em amores perfeitos, mas nunca descobri que eles não existem, talvez o extremo amor próprio que eu sinto, seja tão perfeito ao ponto de eu saber dividi-lo com uma metade, mas com todos os meus defeitos mais os defeitos da alma gêmea, não, o amor não é perfeito. Nunca amei pessoas que me decepcionaram, meu senso critico é bem aguçado, sou capaz de olhar pra alguém e prever uma decepção; nunca decepcionei pessoas que me amaram, dou sempre o melhor de mim!
Nunca passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, tenho certeza que sou tudo, tenho certeza de que sou nada. Nunca tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir, pelo contrario, nunca quis sumir, na verdade, gosto de aparecer. Nunca menti e me arrependi depois, algumas mentiras salvam o dia;
Nunca fingi não dar importância às pessoas que amava, não posso me dar esse luxo, as pessoas que amo, são as mais importantes do mundo. Nunca chorei quieta em meu canto, pois sempre tive um ombro amigo. Nunca sorri chorando, mas também nunca chorei de tanto rir, sou péssima em fazer duas coisas ao mesmo tempo.
Nunca acreditei em pessoas que não valiam a pena, no fundo, eu sempre soube que elas não valiam nada; nunca deixei de acreditar nas que realmente valiam. Nunca tive crises de riso quando não podia, tomo remédio controlado. Nunca quebrei pratos, copos e vasos, de raiva, pois tenho consciência de que teria que comprá-los novamente. Nunca senti muita falta de alguém, internet e telefone existem pra quem sabe usar! Nunca gritei quando deveria calar e nunca calei quando deveria gritar, estou sempre falando e falando.
Nenhuma vez deixei de falar o que penso para agradar uns, a verdade tem que ser dita na cara limpa e dura; Nunca falei o que não pensava para magoar outros, magoei, mas falei a verdade. Nunca fingi ser o que não sou para agradar uns, eu vivo para mim, não para os outros e muito menos para o que pensam e falam. Nunca contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz, melhor contar uma historia de pescador e fazer o amigo dormir. Nunca inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava, a realidade é obvia, uma hora ou outra, a pessoa ia descobrir que contos de fadas não existem. Nunca sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade, tenho sono leve.
Nunca tive medo do escuro, pois no escuro "me acho, me agacho, fico ali". Nunca caí inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, SEMPRE me reergui para não cair mais. Nunca liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria, não sei enrolar conversa. Nunca corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava, tudo que vai, volta, e como diz nosso amigo Bob Marley: o que é nosso, nunca se vai para sempre. Nunca chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo, ela tem mais medo que eu e sempre tava ali do lado da cama mesmo! Nunca chamei pessoas próximas de "amigo", pois as pessoas que nunca precisei chamar de nada, sempre foram e sempre serão especiais para mim.
Eu sei amar pela metade, sei viver de ilusões, sei voar com os pés no chão. Tento sempre ser eu mesma e serei a mesma pra sempre! Não gosto dos venenos mais lentos, a morte lenta, me apavora. Não gosto das bebidas mais amargas, o que é doce, me atrai. Não gosto das drogas mais poderosas, nem das idéias mais insanas, nem dos pensamentos mais complexos, porque o mundo é dos espertos. Não curto os sentimentos mais fortes, não tenho um apetite voraz e não deliro sem remédio de dor de cabeça. Você não pode me empurrar de um penhasco, pois sabe que eu vou dizer: TÁ MALUCO? EU NÃO SEI VOAR!
Eu? Talvez eu nem exista. Por enquanto sou a ficção imaginada, criada e descrita por uma adolescente normal, com saudades do namorado, se achando sem o que fazer e que ao invés de ir estudar matemática e física pra passar de ano, vai começar a criar uma lista de coisas para fazer antes e depois dos 18 anos.