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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Diga não aos covardes




Um brinde aos passos minúsculos desses seres rastejantes. Andam na velocidade de uma boa notícia quando a ansiedade já extrapolou a lógica da espera.

Chega de meias bocas pra preencher profundos vazios. Meias bocas para beijar entradas inteiras. Meios beijos de respeito na testa. Meias palavras para dizer alguma coisa que, feita a análise fria, nada querem dizer. Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá pra puta que te pariu. (E vá ser vago na casa da sua mãe porque embaixo da sua manga eu não fico mais!)

Este rebolado colorido que descola de seu cenário pastel, vem de meu ventre. Livre. Portanto não tente me escravizar, nem com promessas, intelectualidades, ou uma pegada daquelas. 

Este rebolado é quase que instintivo, meu jeito, nada sutil, apesar de ser essa a intenção, de te mostrar que há chances de ultrapassagem.

Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse.

Não sabe se quer acelerar o motorzinho? Então vá treinar com uma boneca, uma revista, uma prima, a chata da sua mulher, a sem-sal da sua namorada ou o raio que os parta todos os mornos. Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito.

E bem longe de mim. Ou venha me ajudar a ferver essa banheira. Vamos ficar cegos de vapor e vermelhos de vida. É sangue que corre nos meus sentimentos e não o enjôo morno de uma vida que se vai empurrando com a barriga. Barriga que vai crescer no sofá imundo dos acomodados. Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as sete da tarde de uma quarta.

Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas? Docinho vá fazer pra quem gosta de lamber o seu cuzinho, porque aqui nessa boquinha só entra cher nourriture . Vá contar esse seu papinho de "Hey, you never know" pra quem conta com a sorte e sabe esperar.

A sorte é sua de ser amado por mim e eu quero agora, ontem, semana passada.

Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela, comer bicho-de-pé no Amor aos Pedaços ou quem sabe dar para o seu chefe em cima da mesa dele.

Minha vontade de ser feliz é como a sua de gozar. E se eu te iludisse de tesão e levantasse rápido para retornar a minha vida? Você continuaria se fodendo sozinho para fugir da dor: é assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo.

Chega de ser metade aquecida, metade apreciada, metade conhecida. Chega de ser metade comida em meios horários e meio amada em histórias pela metade. Chega de sorrir para o que não me contenta e me cobrar paciência com um profundo respiro de indignação.

Paciência é dom de amor aquietado, pobre, pela metade. Calma, raciocínio e estratégia são dons de amor que pára para racionalizar. Amor que é amor não pára, não tem intervalo, atropela. Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar. Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida.

Tati Bernardi

Eu e Los Hermanos

Quem é mais sentimental que eu? Todos.
E o que falta de sentimento, sobra de ego e orgulho.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mutirão pela Ética e Cidadania em Ipatinga


Este grupo se propõe a ser um espaço apartidário e democrático para defesa da ética e cidadania e manifestação de nossa indignação diante dos escândalos e denúncias de corrupção que vem ocorrendo em Ipatinga.

Há alguns dias em uma reunião, ouvi que o Brasil precisa ter mais loucos. Loucos que gritem, que lutem por seus direitos! A loucura, segundo a psicologia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados anormais pela sociedade. Nesse contexto, o político Mário Covas uma vez afirmou que no Brasil, quem tem ética parece anormal.

A palavra ética, do grego, significa aquilo que pertence ao caráter, aquilo que fundamenta o bom modo de viver a partir do pensamento humano. E cidadania, do latim, é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive.

Portanto, inseridos em uma população descrente da eficiência e seriedade do poder público nessa cidade, o Mutirão abrange diversos setores da sociedade que ainda acreditam na mudança pela força do povo exercendo sua cidadania, estamos indignados com os recentes escândalos e denúncias relativas a atos ilícitos do poder público; observa-se também a banalização das CPIs que não foram ao limite de sua atuação e a Comissão Processante instaurada para apurar responsabilidades do Executivo, cujo processo o povo desconhece.

Neste sentido, seria interessante que o vereador Guedes explicasse à população quais foram os resultados práticos da CPI dos Kits Escolares. Quem sabe o vereador Agnaldo Bicalho possa dizer ao povo o que aconteceu com a CPI da URBIS?

Dessa forma, exigimos clareza por parte dos Senhores parlamentares e defendemos:

Que os poderes constituídos em nossa cidade funcionem independentes, harmônicos e equilibrados, tal como os concebeu o filósofo Montesquieu;

Que os princípios constitucionais referentes à administração pública sejam respeitados;

Que os cargos de gestão sejam exercidos por profissionais de comprovada capacidade técnica;

Que o Ministério Público, baseado nas inúmeras denúncias que já acolheu, exija a auditorias nas contas das secretarias de Educação, Saúde e de outras que estejam envolvidas em denúncias;

Que sejam retiradas todas as ameaças de demissão de trabalhadores cuja origem do problema está na má gestão de nossos recursos;

Que o Tribunal de Contas de Minas Gerais se pronuncie acerca de denúncias de irregularidades na prestação de contas do município de Ipatinga do ano de 2010 e que o Legislativo Municipal faça um pronunciamento público sobre o fato de ter instaurado uma CP questionando atos ímprobos do executivo municipal e posteriormente aprovado as contas do município referentes ao mesmo período de 2009.

À população presente, apelo para que esteja sempre alerta e vigilante sobre a atuação de nossas entidades públicas, que se organize e promova um levantamento no histórico de atuação de vereadores e denuncie qualquer tipo de corrupção ou conivência com atos ilícitos praticados pelo executivo municipal;

Que exija prestação de contas, que se interesse, que lute pelo o que lhe é garantido constitucionalmente e que tenha convicção que o governo existe por você e pra você!

Então, se o seu governo não é tudo o que você esperava. Se você percebe que o governo está escondendo a verdade sobre certos eventos. Se você acha que alguma coisa está errada, mas que parte da população não se preocupa. Seja diferente, se você vai à luta e tem esperança, considere-se louco e seja bem vindo à verdadeira democracia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Desejos - Carlos Drummond de Andrade

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O inferno não é aqui


Com a vinda da família real português ao Brasil no século IX, a rainha Carlota Joaquina definiu a colônia como “o quinto dos infernos”.

Posteriormente, Gregório de Matos, poeta brasileiro e crítico do regime imperial, tem parte de sua história narrada por Ana Miranda no livro Boca do Inferno, como era chamado o escritor. No discorrer da leitura, percebe-se que a corrupção está enraizada nas origens do Brasil, que no início da colonização recebeu condenados à prisão, vindo de Portugal.

O governo monárquico exportava as riquezas do país e cobrava altos impostos a fim de manter a nobreza. Na república, os coronéis trocavam favores por votos; mais tarde, acordos políticos entre MG e SP se revezavam no poder.

Atualmente, a capital do país, definida pela pós modernista Clarice Lispector como uma prisão ao ar livre, abriga componentes de um governo que paga mais de R$12.000 em salário a parlamentares que também recebem abono moradia, passagens aéreas, auxílio terno, etc.

Enquanto isso, rondam pelo Congresso centenas de projetos de leis para beneficiar deputados e senadores, anualmente envolvidos em escândalos de corrupção com dinheiro público mal investido, distribuído em meias, cuecas, contas em paraísos fiscais, maletas e panetones, fazendo transparecer a falta de caráter ético que existe nos representantes da população.

O conceito de ética, do grego, está relacionado a costume; e a herança herdada e a situação à qual o Brasil se acostumou é a desonestidade. Sendo assim, cabe aos brasileiros se conscientizarem, conhecerem seus candidatos antes de elegê-los, fiscalizar suas ações e exigir o cumprimento das promessas e prestação de contas sobre o destino dos investimentos.

Além disso, deve-se modificar a cultura através do ensino político desde o primário, visando o gosto por eleições justas, exigência de direitos, cumprimento de deveres e luta por melhores condições a fim de constituir uma geração que mude o sistema do poder político, valorize-o e ocupe cargos nos quais atendam aos interesses gerais, quebrando a definição do país dada por Carlota Joaquina e mostrando a Gregório de Matos, que tinha medo do inferno, de que ele estava apenas no Brasil.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Manuel Bandeira, Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes



‎" A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida, / só que a felicidade morava tão vizinha, que, de tolo, até pensei que fosse minha. / Mas, se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma, / porque o amor é a verdadeira sacanagem. " 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Queria ter nascido com um cartão de recomendação; Mostrando as qualidades e defeitos a serem trabalhados ao longo da vida, avisando a data da minha morte e o nome e local do meu par e amor perfeito. Assim: fácil, simples, sem mistérios, sem suspense, sem muitas emoções e sentimentos e sem destino. Perfeito!