Imaginar que apenas a proibição da comercialização de armas entre a população civil impedirá o crescimento da violência urbana é tão ingênuo quanto supor que a inflação possa ser controlada por decreto, o analfabetismo por medida provisória, a ignorância com lamentações, a obesidade sem regime e a corrupção com CPI.
As armas dos criminosos, em sua maioria não vêm das lojas, que possuem as portas abertas ao público, pagam impostos, geram divisas e empregos. Vêm das fronteiras descuidadas, que ironicamente (ou não) necessitam de melhor treinamento e investimento do governo para protegê-las; uma vez que muitas das armas ilegais do país também se originam da própria força policial. Como escreveu Millôr Fernandes: dizem que o governo, depois de proibir ao cidadão comum usar armas, vai proibir ao exército possuir armas de uso exclusivo dos traficantes.
De acordo com a Lei de numero 20.826 de 22 de Dezembro de 2003, para possuir porte de arma, o individuo deve demonstrar sua necessidade em portá-la com efetuação de registro e porte junto a Policia Federal ou Comando do Exército, que comprovarão falta de antecedentes criminais e capacidade técnica e de aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo. Sendo que após adquirir o porte, o cidadão deve manter a arma apenas em domicilio ou em local de trabalho, conforme solicitado.
Sendo assim, por que um país onde a forma de governo é a democracia – governo do povo, para o povo – precisaria de leis que ferem o exercício da cidadania, desarmando somente pessoas que compram armas de forma legal e respeitando a legislação já existente e exaustivamente discutida? Combater tal lei faz parte de políticas que, deixam de investir em áreas de maior urgência no pais para que, se aproveitando de um evento de grande repercussão, como o massacre na escola em Realengo, apelam para a emoção de uma população muitas vezes iludida, que pensa estar indefesa aos apelos da mídia pela paz.
Portanto, armas de fogo não estão diretamente relacionadas com a paz, pois a violência não está nas armas e sim nas mentes de alguns, em pensamentos psicopatas que existem há séculos e escravizam alguns seres humanos que consumam suas agressões contra seu semelhante, independente da arma que fabrique ou tenha em mãos. A violência está nos problemas sociais, na incompetência dos que têm a seu cargo a manutenção da segurança pública, na morosidade da justiça, nos problemas econômicos, entre outros. A violência está em todas as partes porque está em todas as mentes; e nestas seria necessário combatê-la.
Pois a verdadeira educação é a mental, a que permite aos seres humanos conhecer o ambiente em que vivem e utilizá-lo na criação de idéias e pensamentos que tenham real utilidade para o semelhante, a fim de que as gerações futuras possam ser preparadas e orientadas no sentido de uma postura mental mais humana e pacífica, ou seja, o desarmamento deve começar dentro de cada um.
Áquila Boy,
ResponderExcluirTalvez o 'grande' numero de acidentes domesticos com armas de fogo, margearia alguma justificativa sobre a 'lei do desarmamento'. Porém, o que adianta barrar os cidadãos ao aceso ao armamento legitimo, se não barram efetivamente as barreiras - como deveriam, permitindo que criminosos continuam obtendo armamento, muitas vezes até de dentro dos quarteis militares?