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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pseudo Poeminha da Ditadura Militar.

Pergunta. Perguntas. Pergunta-se. 
Res, resposta, respostas, Resposta?
Res publica, república.
República do demo.
Demo, Democracia?
Não: demônio.

Clichê


É, sou clichê! 
E sou daquelas amantes da história, loucas por Luís Carlos Prestes e Che Guevara, que machos! Das de literatura, que querem provar da divindade de Oswald de Andrade e pedir Vinícius de Morais pra cantar no ouvidinho e ainda cuidar da Manuel Bandeira, pra tentar adiar sua morte. Também sou das da música, que sonham com Caetano Veloso e Chico Buarque todos os dias e querem um arranhado da barba do Nando Reis bem no pescoço.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Carta a mim mesma daqui a 30 anos


Olá,
Não espero que esta carta te encontre bem. Não me iludo, sei que não se alimentou bem, que abusou dos doces, das massas e das calorias. Sei que fez academia só pra ficar gostosa e corria em volta do bairro pra desestressar. Ah, o estresse! Você ainda tem neurônios? Se não foram consumidos junto com o fígado pelo álcool que você aprendeu a ingerir exageradamente, restaram-lhe poucos pelo nervosismo constante.

Continua tendo enxaquecas e dores psicológicas pelo corpo? Provavelmente né? Afinal, você amadureceu, mas certos hábitos são irrevogáveis.

Como andará o seu humor? Bipolar? Impaciente? É fácil chorar e rir ao mesmo tempo aos 18 anos – e agora? Tanto tempo depois, não me surpreenderia se seus problemas estiverem gigantemente incontroláveis e que sua alma esteja implorando para voltar a esta sala de aula, onde estou agora, tecnicamente me preparando para o vestibular, para o futuro. E o futuro? Você se tornou uma promotora de justiça? Quebrou a banca no fórum e botou pra foder na justiça? Espero que sim, cara doutora.

Espero que sua auto estima tenha continuado alta e que sua confiança e prepotência tenham se entendido entre si. E as mágoas? Ainda guarda todas? Continua se escondendo atrás da sua fortaleza de não se apegar às amizades por saber que elas vão te decepcionar? Nada cultivado ou de longo prazo a se cultivar? Provavelmente não... Mas lembre-se que você também ofendeu e magoou muito a muitas pessoas.

Mas você aprendeu e também ensinou, não é mesmo? Presumo seu meio sorriso agora, descalça e má vestida, arrumando a casa ao som de um popzinho qualquer e achando esse rascunho nas gavetas velhas, ou quem sabe, não está sob um scarpin agora, trabalhando no computador e achando esse texto já corrigido ortograficamente? Não sei...

Não consigo te imaginar sozinha. Então espero realmente que tenha tomado jeito, parado de pisar em sentimentos alheios e destruir corações e reclamar da solidão nos dias de semana. Espero que tenha se apaixonado mais, além das duas vezes que até hoje te fizeram sofrer. Espero que o seu celular esteja cheio de declarações e que no cômodo ao lado, exista uma parede de fotos de viagens a dois e que você receba flores e surpresas e faça sexo todos os dias possíveis, mesmo quase aos 50 anos, então, por favor, não me fale a idade dele, você nunca se importou mesmo. E eu admiro isso em você, nunca ligou pro que os outros falam, sempre gostou de fazer o que teve vontade e é isso mesmo e nunca viu mais de duas vezes quem não vale à pena. Feche os olhos, abra-os devagar e lembre-se de tudo que fez até os 18 anos e compare com o que fez depois, valeu à pena?

Porque você ainda está pensando na mente masculina? Já não encontrou o seu? Continue sendo linda para ele e deixe a sua preferência pelos branquinhos ou mulatos altos de cabelo pretos. Esqueça sua primeira vez (pelo amor de Deus!) e todos os beijos avacalhados que te deram. Esqueça o dia seguinte e as ressacas e esqueça também os nãos que a vida te enfiou guela abaixo. Enfiou, ui! Assim mesmo, forte ou fraco, grande ou pequeno, carinhoso ou selvagem, com ou sem amor, passou. Você ainda conta isso e vê os olhos arregalados das suas amigas? Esqueça suas façanhas e solte o cabelo!

Ajeite a coluna, descruze as pernas e pegue um café, ainda é viciada? Toma com energético? Suspire gata, o amor existe e você sabe!

Será mesmo? Não sei. Sou e estou um pouco confusa. Acho que seus sentimentos de liberdade estão menores e que o orgulho e a ambição vazia e o cinismo estão moderados. Mas que a ironia continue alta, eu a adoro!

É bem provável que depois de tanto tempo, você consiga encarar a vida de frente, sentir tudo com mais intensidade e se vê lúcida e forte. Se entregue sem medo, daqui a pouco você terá 50, viva! Esteja vivendo!

Escreveu algum livro? Publicou alguma coisa importante ou a escrita continua sendo só um hobbie pra você? Tenho certeza que ainda cultiva sua paixão pela cultura e ama os bons autores clássicos brasileiros que sempre estiveram com você. Sei que valoriza também a boa música sem rótulos e por favor, não saia do foco. Não dança funk nas festas, só samba no carnaval e dá gargalhadas quando mescla seu gosto musical, certo?

Você ainda vai à Igreja? Tem mais fé agora? Deve ser natural, dizem que somos incertos aos 18, mas você sabe o quanto a fé é importante, não sabe? Sei que lê a bíblia e que não é bitolada.

Você se considera velha? Sei que franziu a testa.

Ainda tem contato com a família? Você sempre lidou bem com a morte, mas nunca perdeu alguém de extrema importância, imagino como deve ter sido tragicamente cômico o seu luto. Papai provavelmente se foi primeiro, seu machismo policial nunca o deixou cuidar muito bem da saúde, e a mãe, por tristeza, deve ter implorado pela morte no mínimo dois anos depois. Seus irmãos devem estar ótimos, cheios de filhos e muito bem sucedidos. Afinal, a ovelha negra da família é você, sempre foi, admita, aceite.

Continua agindo por impulso? Falando alto e sem pensar? Sua personalidade forte me assusta. Faz jus ao significado do seu nome, Águia, de olhar altivo, que forte, quando mais nova, você sempre se gabou por isso. Achando lindo. Não deve fazer tanta diferença agora. Mas fico feliz que seu hábito de xingar se reduziu apenas aos jogos de futebol, espero que não tenha abandonado isso, é o seu passe pra falar para os outros: Aaaah, vira homem!

Espero que apesar dos pesares diários e da rotina cansativa, você se divirta e seja, esteja feliz. E que agora, tenha um compromisso importante, ou guarde esse papel logo, porque alguém acabou de entrar: meu bem, cheguei.

Vai lá, um abraço Áquila B.


Ainda Quilinha

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Carta a mim mesmo daqui a 50 anos


Meu querido Chico,
Espero, é claro, que esta carta te encontre bem. Não me iludo: quando digo “bem”, tento pensar de acordo com seus próprios critérios. Alguma vitalidade. Poucas dores, uma ou outra limitação física, nada que comprometa sua independência ou capacidade de tomar decisões. Se não for esperar demais, também torço para que o fígado ainda funcione, o suficiente para uma bebedeira ocasional.
Como andará o seu humor? É fácil rir de si mesmo aos trinta anos — e agora? Tanto tempo depois, não me surpreenderia se as frustrações tivessem feito algum estrago em seu espírito. Os devaneios, por menores que sejam, acabam esmagados pelo peso dos fatos. As intenções elevadas vão dando lugar a sentimentos mais, digamos, pedestres: a mesquinharia, o orgulho, a ambição vazia. O cinismo. A amargura.
Foi impossível evitar. As coisas foram acontecendo, não havia como se proteger. Há quem tenha te decepcionado; há, ao contrário, aqueles a quem você ofendeu, que não conseguiu evitar magoar — e a culpa por esses gestos ainda deve doer em você.
E há os mortos.
Sim, os mortos. Gente que você amou e que te fez feliz. Gente que ajudava a te definir, que era a janela através da qual você enxergava algum sentido no mundo — e que agora, justamente quando era mais necessário, não está mais por aqui. Você já sabia que seria assim, mas isso não ajudou em muita coisa. Posso imaginar sua perplexidade. Seu assombro. Diante desse vazio, não deve restar muito a fazer senão sentar-se num canto e, em silêncio, acostumar-se à solidão.
A pergunta soa quase absurda, mas eu me sinto obrigado a fazê-la: diante de tudo o que aconteceu, você ainda será capaz de se apaixonar? A proximidade do fim carrega um quê de egoísmo: é uma luta que se trava a sós. Não seria o amor, do seu ponto de vista, um capricho típico de quem, por estar distante da morte, ainda vive a ilusão da eternidade?
É bem provável. Mas, pensando melhor, também pode ser que aconteça exatamente o contrário. Que a iminência do fim, em vez de paralisar o espírito, recheie as coisas de uma intensidade inesperada. De uma hora para outra, você se vê lúcido e forte. Pela primeira vez, sente-se capaz de encarar a vida de frente. Tudo é claro, tudo é igualmente simples e fundamental. As coisas são o que são, e é desse ponto privilegiado que você se permite entregar-se sem medo às paixões mais ferozes.
Será mesmo? Não sei. Estou um pouco confuso. Nem tenho muita certeza, na verdade, do motivo de estar escrevendo tudo isso. No fundo, acho que tenho apenas a expectativa de que essas linhas te alcancem — e que você as leia com uma espécie de compaixão. Quanta solenidade, meu Deus. Que desperdício de palavras. O que espero, no fim das contas, é que você encontre esta carta e, com um sorriso no rosto, grite para o cômodo vizinho: vem cá, meu bem. Vem ver isso que eu achei na gaveta. Dá pra acreditar numa coisa dessas?
Um abraço,
Chico
(Chico Mattoso, Revista Bravo!, 08.2010)

segunda-feira, 6 de junho de 2011


Eu, que nem acredito em horóscopo, de um tempo pra cá, comecei a ler o meu, o seu e a nossa combinação e mesmo quando não há sentido algum eu tiro proveito, emendo as palavras, arrumo circunstâncias e recheio a memória de lembranças e ansiedades, anseios.

É isso que me incomoda: essa vontade inexplicável de te ter pelo menos por um dia e jogar na sua cara que esses signos são uma merda e que o destino é a gente quem faz, assim como essa situação que você criou. A culpa de tudo na minha vida ultimamente é sua. Mas foda-se!  Só venha, eu te ensino e te mostro o que fazer.