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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Estamos com fome de amor...

O que temos visto por ai? Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... Mas chegam sozinhas e saem sozinhas... Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos... 


Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível. E não é só sexo não! Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida? Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo! Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho , sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama - sexo de academia - , fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalisticas... Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção... 
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós... Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!" Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens  com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez  mais sozinhos... Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário... Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa... Todo mundo quer ter alguém ao seu lado , mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, familias preconceituosas... Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados... Mas e daí?  Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado... "Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor... Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais... Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida... E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele...  E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?" Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado... O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in... Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso. 
Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"... Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz! Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!


(Arnaldo Jabor - Jornal O Dia!)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Duas pernas e uma calça


Nunca liguei pra essas frescurites femininas de corpo e saúde, não muito pelo menos. Mantenho meus conceitos de comer muito e quando der vontade, gosto de malhar quando tenho tempo e quando enjôo do meu computador. Correr e caminhar? Só quando estou afobada e ansiosa, uso os estudos como desculpa pra ficar quetinha e minha terapia mesmo, é escrever, de preferência bem vestida e sentada no chão frio, como agora.
Porém, hoje, justamente hoje, fui forçada a mudar, por culpa de uma calça jeans, uma misera, miserável calça... Justo eu, que não ligo pro fútil, que amenizo a ironia e a la Lispector: adoro o meu corpo, por ser a única posse real que tenho.

Enfim, a calça não entrou. Logo de manhã meus caros! Pela primeira vez, não passou dos joelhos. Então, decidi! Começo minha dieta na Segunda Feira, me despeço no fim de semana. Tentarei manter minhas ansiedades alertas e vou correr!

Correr com as pernas, sentir o vento no cabelo e ao som da música adequada, tentar tirar os pés do chão, driblar o coração e gritar: sossega alma! Sossega!

Mas eu devo e vou me cansar... Eu sei! Uma hora ou até rápido demais... Assim como canso de esperar, de acreditar em alguns e de tentar ter certeza. Sou eu, não é você, não são vocês, nem nós.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Que Fazem os Vagalumes de Dia


- Pa-ô-la (desde o começo ele a chamara assim, como se o nome dela fosse espanhol), este nosso caso...
- Que caso?
- Nós não estamos tendo um caso?
- Que idéia, Dan!
Ele se chamava Daniel.
- Se nós não estamos tendo um caso, estamos tendo exatamente o quê?
- Sei lá, mas caso não é.
- Pa-ô-la...
- Caso é assim uma coisa clandestina. Adultério. Precisa ser casado.
- Acho que quando tem sexo no meio, é caso. Independente do estado civil.
- Que idéia! Nada disso. O que nós estamos tendo é um namoro.
- Não. Namoro eu conheço. Não é namoro.
- Então é amizade. Só porque a gente dorme junto não pode ser amizade?
- Pa-ô-la. Há sete meses nós só dormimos um com o outro. Nos vemos todos os dias. Andamos abraçados na rua.
- Então. Uma boa amizade.
- Comemos sorvete de casquinha com a mesma colher, Pa-ô-la.
- E daí?
- Em certas sociedades primitivas, comer sorvete de casquinha com a mesma colher vale mais do que pacto de sangue.
- Não vem.
- E o que você diz quando você está tendo um...
- Eu sei o que eu digo!
- “Dan, Danzinho, amor, vida, paixão.”
- É a emoção, ora. Nessas horas a gente diz qualquer coisa. Uma amiga minha grita o nome de todos os apóstolos. E você, que quando me vê só falta chorar? Mesmo que a gente tenha dormido junto na noite anterior. Oito horas sem me ver e faz um escândalo.
- Mas eu estou tendo um caso com você. Um caso muito bonito. Pena que você não esteja participando dele.
- Não vem, Dan.
- Não. Tudo bem. Somos apenas bons amigos. Onde está escrito “Dan, Danzinho, amor, vida, paixão”, leia-se “Ai que bom”.
- Está certo. Não é amizade. Mas não é caso.
- Romance.
- Também não.
- Um espasmo. Um descontrole hormonal.
- Pára.
- Uma história.
- Isso. Uma história. Está rolando uma história entre nós.
- Que tipo de história?
- Como, que tipo?
- Cômica, séria, trágica... Acaba como?
- E eu sei?
- Só pra minha orientação.
- Por que isto, de repente? Por que esta preocupação? Estamos tendo um ca... uma história legal, sem grilo...
- Mas nós não sabemos o que é. Você não tem necessidade de saber o que está acontecendo com você?
- Pra quê? Deixa acontecer.
- Imagina se esta história acaba num crime. Tudo que está acontecendo agora ganha outro significado. Nós podemos estar vivendo o prólogo de uma tragédia sem saber. Se a gente soubesse o que é, e como acaba...
- Ah, é? Se eu soubesse que você ia me matar no fim, sabe o que eu fazia? Matava você agora. Rá, rá. Mudava o fim.
- Exatamente! Nós precisamos saber o que está nos acontecendo para agir conscientemente, para aproveitar melhor a história e até mudá-la.
- E, mesmo, você é incapaz de matar uma mosca.
- Mas você não me viu com mosquitos.
- Quer saber de uma coisa?
- Uma vez, quando eu era guri, desmembrei uma formiga. Você não me conhece.
- Me ouve.
- E se esta história acaba em casamento? Filhos, essas coisas. Hein? E se acaba em almoços de Domingo e planos de saúde? Nós precisamos saber no que estamos nos metendo!
- Sabe que eu acho que vou mesmo matar você? Assim você fica sabendo o fim e pára de chatear.
- Pa-ô-la...
- Taí. É um conto.
- Um conto?!
- Daqueles que começa no meio de um diálogo, não acontece nada e termina no ar. Ninguém fica sabendo o que vai acontecer depois.
- Não faz isso comigo, Pa-ô-la.
- Com um título que não tem nada a ver com nada.
- Um conto, Pa-ô-la? Isto é só um conto? Um naco de história? Um diálogo perdido? Um...



Luis Fernando VerissimoComédias da Vida Privada